sexta-feira, 12 de fevereiro de 2016

Pecado venial

Caçadores de meia-tigela
Abundam no mundo
Estremando o próprio como cardápio
Se de injúrias me inundo
Culpo a Terra-cadela
E a quem quer deglutir meu marsápio!...

Aí vem! Venho-me em vossa indignação
Nunca almejarei ser dignitário
Ou digno d' uma sociedade em negação
Nego-me a ser otário
Serei então...
Totalitário!...

Fui possuído por tal neo-musa!...
A princípio fui insípido
Rápido, ríspido!...
Mas logo o sápido
Levou à tusa
Puxa!... Nívea face!...
Contrastante com seu negro humor,
Humilhou-me! Que se grasse!...
É gratificante gotejar de tal dor!...
Seus olhos se arrastam e a mando
Seu olhar seduz,
Pois se vai aclareando
À medida que vai chegando
Independentemente de qualquer luz!...

Seu corpo se subjuga
À normalidade,
Ameno, mas imposto e certo
Titubeante à idade
Um reflexo ilustre do que não sou
Sorriso correcto, ao longe e ao perto
Acompanhado de pensamento incerto!...
Sou um logro e logo desperto
À realidade obtusa
Quando me perco
No teu contorno, Musa!... Fusa!...
És a mor-pêga das que se apegam
A essas impero-meretrizes
Qu' o olho do Diabo esfregam
Masturbando-lhe as antíteses!...
E tu, acariciando-as a elas!...
Quase ejaculo um regozijo
De visões tão belas
Desenha-me em telas
De membro rijo
Enquanto finjo
Desconhecimento delas!...

E mesmo que temas perder
Este vislumbre fixo
Temo eu mais dissolver
O sonho prolixo
De te corromper!...
Porque sou lixo e só te quero ser!...

Árion